8.10.08

No Description

Estive relendo textos que escrevi há algum tempo. Cheguei à conclusão de que já escrevi muito mais sobre mim mesma do que agora. E, por algum motivo, essa constatação ficou me perturbando durante uma semana inteira.

Por que parece impossível formular uma só frase que realmente expresse o que quero? De repente um dicionário parece pouco e nenhuma palavra faz sentido.

É curioso, pois não me lembro de uma época, desde que me conheço alfabetizada, na qual não tivesse total intimidade com um diário ou algo do gênero. Sempre usei meus textos como forma de auto-conhecimento. Escrevia, lia, relia, e logo toda aquela confusão de idéias parecia fazer algum sentido.

Me senti traída! Como as palavras, que sempre foram minhas maiores cúmplices em absolutamente tudo, me deixaram assim, sem mais nem menos? Logo elas que sempre estavam lá quando ninguém era capaz de me entender...

Isso me deixou incorformada, e então passei três dias obstinada a escrever um texto que descrevesse exatamente o que estava sentindo. Em vão! Não consegui passar do primeiro parágrafo.

Por fim, decidi admitir e me conformar que, nesse momento, simplesmente não estou em condições de construir sequer uma frase sobre seja lá o que esteja sentindo.

O que me contenta, de alguma forma, é saber que as palavras estão bem aqui, dentro da minha cabeça, ainda que desorganizadas. E que, no fundo, no fundo, a maior traidora sou eu, por trocar o tempo dos verbos, por confundir substantivos e adjetivos, por deixar que monossílabas sejam dois e dissílabas sejam três.

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