31.12.08

Adeus Ano Velho

Mais um ano está acabando e não ter um texto de fim de ano no blog é quase uma heresia para quem escreve. Como não sou muito adepta de planejamentos, optei por não ficar aqui torrando minha criatividade elaborando metas que provavelmente não vou conseguir cumprir. Por isso pensei em fazer uma retrospectiva deste ano que se encerra, mas sem ser óbvia demais e sem deixar o texto gigantesco e enfadonho também. Como? Fazendo uma retrospectiva musical, porque, afinal, todos os acontecimentos da minha vida tem trilha sonora.

Aproveitando que junto à virada do ano completo também vinte primaveras, vou usar o número para outro fim além de me lembrar que estou ficando mais velha. Então lá vai, as vinte músicas que fizeram o meu ano de 2008 (por favor entendam que certas músicas marcam sem a gente querer, por isso não duvidem da minha integridade musical) :

  • Have A Cigar (Pink Floyd) - Quando sentia vontade de cantar na linha verde do metrô.
  • Friday I´m In Love (The Cure) - Quando sexta-feira na Augusta virou rotina.
  • Maybe Tomorrow (Stereophonics) - Quando chorei ao dar adeus à vida bancária.
  • Here Comes The Sun (Beatles) - Quando achava que tudo estava perdido e ela me dizia "Eu te amo".
  • Time (Pink Floyd) - Quando reavaliei toda minha vida e percebi que o tempo deixa muito mais marcas quando fazemos o que não gostamos.
  • A Certain Romance (Arctic Monkeys) - Quando aprendi que amar um amigo é se sentir completa ao lado dele.
  • Não Vá Embora (Marisa Monte) - Quando entendi porque algumas pessoas se tornam homicidas.
  • Let Me Think About It (Maison) - Quando achei que só beleza bastava.
  • Since I´ve Been Loving You (Led Zeppelin) - Quando minha saúde mental corria um sério risco.
  • Uma Criança Com o Seu Olhar (Charlie Brown Jr.) - Quando o passado me causou asco.
  • Highway Star (Deep Purple) - Quando resolvi assumir para mim mesma que música é o que eu realmente amo.
  • Every Breath You Take (Police) - Quando entendi que história não se apaga com borracha.
  • Eleanor Rigby (Beatles) - Quando segunda-feira era sinônimo de alegria.
  • Let´s Get It On (Marvin Gaye) - Quando me permiti ser feliz por algumas horas.
  • Noites Com Sol (Flávio Venturini) - Quando ela disse não à tentativa dele.
  • Take On Me (A-Ha) - Quando perdi o senso do ridículo em plena zona leste.
  • É o Que Me Importa (Lenine) - Quando presenciei o reencontro mais lindo do mundo.
  • Wish You Were Here (Pink Floyd) - Quando fui pega de surpresa.
  • All Of This (Blink 182) - Quando entreguei os pontos de vez.
  • Going to California (Led Zeppelin) - Se acaso quisesse resumir meu ano em uma só música.

18.12.08

Ilusões

Em meio a toda essa transformação interior e exterior, acabei passando uns tempos absolutamente sem criatividade para escrever. Mudanças bagunçam a minha cabeça, e nesse período só o que gosto de fazer é pensar. Nem ouvir, nem falar, nem escrever, só pensar.

Aos poucos vou arrumando a bagunça que eu mesma fiz e aos poucos volto a escrever por aqui. Por enquanto, fico com uma das frases que mais gosto do meu livro do coração:

"A verdade que você fala não tem passado nem futuro. É, e é tudo o que precisa ser."

Porque o tempo é realmente só um detalhe...

6.12.08

Nem Um

Um primeiro, um único, um inteiro. Um, um, um. Nada de dois, três, quatro ou meio. Um. O dia inteiro, a hora que quiser, sem dividir nem multiplicar. Um. Um só porque evito contas complicadas demais, números decimais e/ou frações. 1+1=1. Soma simples, resultado inteiro. Nem zero vígula nove nove nove nove nove nove nove nove, nem um vígula um. Um, apenas um. Pouco, tão pouco e ainda assim muito.

23.11.08

Sem Querer, Nunca Mais

Evoluía como tinha de ser: Encontros, praia , presentes, ciúmes, parentes, dezenas de telefonemas. Ela se arrumava, mesmo sabendo que ele a cobriria de elogios de qualquer forma. Ele se esforçava para não ser infantil e convencê-la de que era interessante. Não sabiam exatamente o quão comprometidos estavam, por isso evitavam demonstrações de afeto em público e conversas profundas demais sobre si mesmos.

O tempo se passava e assim como o compromisso se firmava, o vazio se estabelecia. Mas, àquela altura ela já não se incomodava em ficar na superfície, a comodidade da rotina parecia suficiente.

E num dia até então igual a todos os outros, ele impulsivamente deixou escapar: Eu te amo. Com o coração disparado, sentia-se apreensivo como nunca antes. Já ela encontrava-se muda, deixando que aquele silêncio perturbador se fizesse resposta.

- Queria que você gostasse de mim.

- Eu também... eu também queria.

11.11.08

Presente, Passado... Presente

Um cd empoeirado ainda não aberto me pegou desprevenida num desses dias em que se está procurando qualquer coisa, menos uma representação do passado. Até tentei evitar me lembrar da ocasião em que o cd me foi dado, mas não teve jeito: Tarde chuvosa de primeiro de janeiro. Um presente comprado pela obrigação da data, que eu detestei, por isso não abri. De brinde, junto com ele, um monte de palavras que não queria ouvir.

Quanto tempo é necessário para se entender que passado não pode ser presente? Eu não sei. Só sei que tão natural quanto a transformação das pessoas ao longo do tempo deveria ser a aceitação de que muitas vezes amamos o que foi e não o que é.

Você tinha razão, não deixamos de amar a pessoa com quem um dia estivemos. Deixamos de amar aquela com quem não estamos mais.

5.11.08

Lágrimas

Águas que afogam as frustrações, que matêm submersas velhas mágoas. As mesmas que permitem navegar os sonhos e flutuar a saudade. Aquelas que podem ser um oceano de dor, uma hidrelétrica de emoções ou uma pequena fonte de lembranças. São águas que regam o que plantamos todos os dias pacientemente e que limpam os olhos, clareando lento e sutilmente o que está obscurecido. Aquelas difíceis de conter quando rompem os diques do orgulho e fáceis de fluir quando transbordam o cálice da felicidade. As que rolam deixando salgado o gosto amargo, as que caem sem querer relembrando o sabor do passado e as que enganam a sede pelo que não se pode. São as águas da tempestade íntima de sentimentos, que lavam a alma e exprimem o que nada mais é capaz descrever.

2.11.08

Num Domingo...

...Nada melhor do que PEIXE FRITO!

28.10.08

Loser!

Estávamos frente a frente. Ela, sem se mexer, permanecia ali esperando um movimento meu. Eu não só estava paralisada, como também mantinha em meu rosto uma expressão ridícula de pavor. Ela sobreviveria a uma bomba nuclear. Eu, não.

E agora? O que fazer? Se eu não for rápida, é provável que fuja e aí então ficarei mais temerosa de deparar-me com ela em outro lugar. Certo. Tinha que tomar uma atitude e matá-la. Como? As únicas armas que tinha à mão eram um par de chinelos, um balde com água e um pano molhado. Infelizmente minha Máquina Mortífera Aspirante encontrava-se no outro lado da casa. Coragem! Coragem!

Num movimento intrépido, movida pelo asco que aquela criatura me causava, peguei o chinelo e mirei sobre ela. A desgraçada nem se mexia, ficava ali, no mesmo lugar, sob a sombra do meu chinelo, desafiando minha coragem, como que se pudesse dizer "Ah, está com medo? Vamos! Você não é a valentona? Pois me mate!".

A ousadia daquele ser repugnante transformou meu asco em raiva e eu decidi que, pela primeira vez em toda minha vida, mataria uma da espécie. Levantei cuidadosamente o chinelo, mirei mais uma vez e... NÃO! Ela correu em minha direção velozmente, tentando subir em meu pé descalço.

Num grito desesperado, saí correndo. Entrei na sala ao lado e fechei a porta. Pálida e trêmula, senti-me a maior das covardes! Uma pateta! Queria correr e pegar o aspirador de pó para ao menos provar a ela minha superioridade humana, mas me faltava coragem até mesmo para abrir a porta... Lamentável!

Esperei na sala uns dez minutos. Mais calma, abri a porta, olhei à volta certificando-me de que ela não estava mais ali e subi correndo as escadas para o meu quarto.

Baratas sobem escadas?

21.10.08

It´s Only Rock And Roll

E lá estavam eles. Os mesmos caras: músicos, roqueiros, cabeludos, com seus jeans surrados, tocando o bom e velho rock and roll.

Num momento de nostalgia, a menininha de cabelos cacheados começou a correr novamente pelo corredor, para lá e para cá.
Muito curiosa, mexia em absolutamente tudo que lhe parecia atraente. Quando ninguém estava vendo, sempre dava um jeito de fuçar nas bags e cases alheios, apertar e girar os botõezinhos da mesa, além de desafinar todo e qualquer instrumento de corda que visse pela frente. Olhava cuidadosamente para o chão, tentando encontrar palhetas perdidas e, quando achava, pegava rapidamente e guardava no bolso. Colecionava-as escondida, com medo de que descobrissem e as devolvessem para os respectivos donos.
Adorava ficar girando em volta da clave de sol desenhada no chão e achava demais aquela boca grandona com a língua para fora colada na parede.
Ouvia atenta a todas aquelas músicas que, à época, não faziam muito sentido, mas que ela fazia questão de decorar ao seu jeito para ficar cantarolando pelos cantos. Adorava pegar as baquetas e judiar dos pratos, deixando seu pai louco da vida. Pai esse que lhe deu um microfone dourado, que ela tanto insistiu em ganhar. Esperava o ensaio acabar e lá ia ela com seu microfone dourado imitar o trejeitos que havia aprendido observando o vocalista que acara de sair.
Era a queridinha da turma e estava em todas, sempre passando de um colo para o outro, mexendo num instrumento aqui e outro ali...

Da cabine, enquanto assistia ao ensaio e sorria para eles, percebi que, na verdade, não sentia saudades da infância. Sentia apenas uma imensa felicidade por saber que a música mantém viva a criança que há em mim.

20.10.08

Saudade

sau.da.de
sf (lat solitate) 1 Recordação nostálgica e suave de pessoas ou coisas distantes, ou de coisas passadas. 2 Nostalgia.

16.10.08

(I Don´t Know What´s Going) On

I don't know what's going on
I am so up close to you
I don't know what's going on
I don't know what's going on
I am so confused by you
I don't know what's going on
No don't say anymore
To me at all
No don't say more
To me at all
I am so in love with you...
with you... with you...
I am so in love with you...
With you... with you...
I don't know what's going on
I am so in deep with you
I don't know what's going on
I don't know what's going on
I am so disturbed by you
No don't say anymore
To me at all
No don't say more
To me at all
I am so in love with...
You!

15.10.08

Nem Falado E Tampouco Escrito

Tendo em vista que a merda da transmissão de pensamento ainda não se tocou que é hora de parar decidi que hoje, em protesto, não vou postar coisíssima nenhuma! Além disso, não estou nada afim de ser acusada injustamente de plágio pelo Sr. Autor que me fez o favor de escrever uma frase quase idêntica à que escrevi ontem.

14.10.08

Lua Cheia

Na laje, à meia-noite, eu e ela:

- Mamãe, queria pegar a lua, mas não consigo (Esticando o bracinho). Por que não consigo?
- Porque a lua fica muito, muito distante daqui, filha.
- Lá no altão?
- É, lá no altão.
- Ah, então eu não consigo pegar porque sou pequeninha, mas você é grande, você consegue. Pega ela pra mim mamãe? (Longo abraço)

Num dia em que eu não sabia direito nem quem era, ela me fez sentir ser a pessoa mais importante do mundo. A imensidão do céu pareceu pouco comparada à felicidade que senti no simples fato de ser mãe.

12.10.08

Machado

Dói. Então deixo que ele defina por mim:

"Descobri uma lei sublime, a lei da equivalência das janelas, e estabeleci que o modo de compensar uma janela fechada é abrir outra, a fim de que a moral possa arejar continuamente a consciência."

Alguma Dúvida?

Escolha ir. Escolha ficar. Escolha esconder-se. Escolha brilhar. Escolha satélite. Escolha anular-se. Escolha razão. Escolha emoção. Escolha matéria. Escolha estrada. Escolha largo. Escolha estreito. Escolha cair. Escolha o fundo. Escolha além. Escolha planejar. Escolha hoje. Escolha do amanhã. Escolha belo. Escolha infinito. Escolha perigo. Escolha certeza. Escolha cômodo. Escolha de sempre. Escolha alguém. Escolha ele. Escolha ela. Escolha íntima. Escolha céu. Escolha inferno. Escolha ateu. Escolha inverno. Escolha verão. Escolha morno. Escolha sair. Escolha não voltar. Escolha sem volta. Escolha seco. Escolha suave. Escolha dormir. Escolha dor. Escolha remédio. Escolha anestesia. Escolha novo. Escolha medo. Escolha natural. Escolha colorido. Escolha branco. Escolha nulo. Escolha minutos. Escolha anos. Escolha sem relógio. Escolha sonhar. Escolha sonho. Escolha difícil. Escolha voz. Escolha violão. Escolha metal. Escolha míope. Escolha óculos. Escolha de olhos fechados. Escolha casar. Escolha bairro. Escolha o mundo. Escolha guiar. Escolha carona. Escolha a cavalo. Escolha esquerda. Escolha direita. Escolha demais...

11.10.08

E é assim

Algumas coisas acontecem e a gente não entende por quê... E elas podem ser avassaladoras como um furacão ou sutis como a brisa de verão. E a gente não entende. Talvez porque certas coisas simplesmente não devam ser compreendidas, devam ser lições silenciosas... Que modificam a essência, que transcendem o lógico, que calam fundo na alma.
End of story.

8.10.08

No Description

Estive relendo textos que escrevi há algum tempo. Cheguei à conclusão de que já escrevi muito mais sobre mim mesma do que agora. E, por algum motivo, essa constatação ficou me perturbando durante uma semana inteira.

Por que parece impossível formular uma só frase que realmente expresse o que quero? De repente um dicionário parece pouco e nenhuma palavra faz sentido.

É curioso, pois não me lembro de uma época, desde que me conheço alfabetizada, na qual não tivesse total intimidade com um diário ou algo do gênero. Sempre usei meus textos como forma de auto-conhecimento. Escrevia, lia, relia, e logo toda aquela confusão de idéias parecia fazer algum sentido.

Me senti traída! Como as palavras, que sempre foram minhas maiores cúmplices em absolutamente tudo, me deixaram assim, sem mais nem menos? Logo elas que sempre estavam lá quando ninguém era capaz de me entender...

Isso me deixou incorformada, e então passei três dias obstinada a escrever um texto que descrevesse exatamente o que estava sentindo. Em vão! Não consegui passar do primeiro parágrafo.

Por fim, decidi admitir e me conformar que, nesse momento, simplesmente não estou em condições de construir sequer uma frase sobre seja lá o que esteja sentindo.

O que me contenta, de alguma forma, é saber que as palavras estão bem aqui, dentro da minha cabeça, ainda que desorganizadas. E que, no fundo, no fundo, a maior traidora sou eu, por trocar o tempo dos verbos, por confundir substantivos e adjetivos, por deixar que monossílabas sejam dois e dissílabas sejam três.

24.9.08

Poder do Tempo

Certas coisas a gente simplesmente não pode... Ser, modificar, superar, amenizar, apagar, amadurecer, cicatrizar, concretizar, esclarecer, ensinar, desfazer, afastar, substituir, abrandar, conquistar, perdoar, permitir, explicar, provar, conter, resgatar, construir, desconstruir, reconstruir... Certas coisas só o tempo pode.

17.9.08

That´s me

Para começar. Toda minha vida, por algum motivo que eu desconheço.


Led Zeppelin - Going to California

Spent my days with a woman unkind, Smoked my stuff and drank all my wine.
Made up my mind to make a new start, Going To California with an aching in my heart.
Someone told me there's a girl out there with love in her eyes and flowers in her hair.
Took my chances on a big jet plane, never let them tell you that they're all the same.
The sea was red and the sky was grey, wondered how tomorrow could ever follow today.
The mountains and the canyons started to tremble and shake
as the children of the sun began to awake.

Seems that the wrath of the Gods
Got a punch on the nose and it started to flow;
I think I might be sinking.
Throw me a line if I reach it in time
I'll meet you up there where the path
Runs straight and high.

To find a queen without a king,
They say she plays guitar and cries and sings... la la la
Ride a white mare in the footsteps of dawn
Tryin' to find a woman who's never, never, never been born.
Standing on a hill in my mountain of dreams,
Telling myself it's not as hard, hard, hard as it seems.