E lá estavam eles. Os mesmos caras: músicos, roqueiros, cabeludos, com seus jeans surrados, tocando o bom e velho rock and roll.
Num momento de nostalgia, a menininha de cabelos cacheados começou a correr novamente pelo corredor, para lá e para cá.
Muito curiosa, mexia em absolutamente tudo que lhe parecia atraente. Quando ninguém estava vendo, sempre dava um jeito de fuçar nas bags e cases alheios, apertar e girar os botõezinhos da mesa, além de desafinar todo e qualquer instrumento de corda que visse pela frente. Olhava cuidadosamente para o chão, tentando encontrar palhetas perdidas e, quando achava, pegava rapidamente e guardava no bolso. Colecionava-as escondida, com medo de que descobrissem e as devolvessem para os respectivos donos.
Adorava ficar girando em volta da clave de sol desenhada no chão e achava demais aquela boca grandona com a língua para fora colada na parede.
Ouvia atenta a todas aquelas músicas que, à época, não faziam muito sentido, mas que ela fazia questão de decorar ao seu jeito para ficar cantarolando pelos cantos. Adorava pegar as baquetas e judiar dos pratos, deixando seu pai louco da vida. Pai esse que lhe deu um microfone dourado, que ela tanto insistiu em ganhar. Esperava o ensaio acabar e lá ia ela com seu microfone dourado imitar o trejeitos que havia aprendido observando o vocalista que acara de sair.
Era a queridinha da turma e estava em todas, sempre passando de um colo para o outro, mexendo num instrumento aqui e outro ali...
Da cabine, enquanto assistia ao ensaio e sorria para eles, percebi que, na verdade, não sentia saudades da infância. Sentia apenas uma imensa felicidade por saber que a música mantém viva a criança que há em mim.
Há 5 anos
Nenhum comentário:
Postar um comentário