23.11.08

Sem Querer, Nunca Mais

Evoluía como tinha de ser: Encontros, praia , presentes, ciúmes, parentes, dezenas de telefonemas. Ela se arrumava, mesmo sabendo que ele a cobriria de elogios de qualquer forma. Ele se esforçava para não ser infantil e convencê-la de que era interessante. Não sabiam exatamente o quão comprometidos estavam, por isso evitavam demonstrações de afeto em público e conversas profundas demais sobre si mesmos.

O tempo se passava e assim como o compromisso se firmava, o vazio se estabelecia. Mas, àquela altura ela já não se incomodava em ficar na superfície, a comodidade da rotina parecia suficiente.

E num dia até então igual a todos os outros, ele impulsivamente deixou escapar: Eu te amo. Com o coração disparado, sentia-se apreensivo como nunca antes. Já ela encontrava-se muda, deixando que aquele silêncio perturbador se fizesse resposta.

- Queria que você gostasse de mim.

- Eu também... eu também queria.

11.11.08

Presente, Passado... Presente

Um cd empoeirado ainda não aberto me pegou desprevenida num desses dias em que se está procurando qualquer coisa, menos uma representação do passado. Até tentei evitar me lembrar da ocasião em que o cd me foi dado, mas não teve jeito: Tarde chuvosa de primeiro de janeiro. Um presente comprado pela obrigação da data, que eu detestei, por isso não abri. De brinde, junto com ele, um monte de palavras que não queria ouvir.

Quanto tempo é necessário para se entender que passado não pode ser presente? Eu não sei. Só sei que tão natural quanto a transformação das pessoas ao longo do tempo deveria ser a aceitação de que muitas vezes amamos o que foi e não o que é.

Você tinha razão, não deixamos de amar a pessoa com quem um dia estivemos. Deixamos de amar aquela com quem não estamos mais.

5.11.08

Lágrimas

Águas que afogam as frustrações, que matêm submersas velhas mágoas. As mesmas que permitem navegar os sonhos e flutuar a saudade. Aquelas que podem ser um oceano de dor, uma hidrelétrica de emoções ou uma pequena fonte de lembranças. São águas que regam o que plantamos todos os dias pacientemente e que limpam os olhos, clareando lento e sutilmente o que está obscurecido. Aquelas difíceis de conter quando rompem os diques do orgulho e fáceis de fluir quando transbordam o cálice da felicidade. As que rolam deixando salgado o gosto amargo, as que caem sem querer relembrando o sabor do passado e as que enganam a sede pelo que não se pode. São as águas da tempestade íntima de sentimentos, que lavam a alma e exprimem o que nada mais é capaz descrever.

2.11.08

Num Domingo...

...Nada melhor do que PEIXE FRITO!