Eu ainda não sei por que quanto mais tento ser cúmplice do tempo, mais ele me trapaceia. O tempo é um amigo ingrato e extremamente traiçoeiro, vive me pegando desprevenida, me fazendo lembrar do que lutei para esquecer.
Ele impõe situações pelo mero prazer de testar minha consciência tranquila. Ignora o fato de eu não querer mais andar na linha que separa passado e presente, pintando um quadro perfeito daquilo que eu nunca quis deixar de viver. E então as noites na escada, as cartas na caixa de madeira e a velha subida de paralelepípedos que nos separa, passam a me perturbar de novo...
E eu só não quero mais questionar o poder do tempo em relação aos sentimentos, nem enlouquecer por perceber que o preço do esquecimento é a saudade.
Há 5 anos
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